Caiado propõe corte de gastos do governo sem explicar onde e defende anistia a condenados do 8 de janeiro para 'pacificar país'
Ronaldo Caiado (PSD) é entrevistado por César Tralli e Renata Vasconcellos; veja íntegra O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, af...
Ronaldo Caiado (PSD) é entrevistado por César Tralli e Renata Vasconcellos; veja íntegra O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, afirmou nesta terça-feira (25), em entrevista à Globo, que, se eleito, vai promover um corte de gastos no governo federal. O ex-governador não detalhou, no entanto, o que seria cortado ou quais áreas seriam atingidas. Leia também: Caiado pede em entrevista que STF abra sigilos de investigações sobre fraudes no INSS e caso Master Caiado disse que promoveria o ajuste fiscal por meio do envio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ao Congresso. A medida limitaria o crescimento das despesas à inflação mais 50% do crescimento do PIB. O candidato defendeu uma reforma administrativa para cortar gastos e combater corrupção, incluindo despesas e salários que considera excessivos em todos os Poderes e órgãos públicos. O político chamou o atual arcabouço fiscal de “grande farsa”. Caiado ainda reafirmou que, caso seja eleito, vai conceder anistia aos condenados pela tentativa de golpe de Estado de 8 de Janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ronaldo Caiado, candidato a presidente pelo PSD, concede entrevista à Globo Globo/ Manoella Mello Caiado voltou a comparar a discussão sobre anistia à soltura do presidente Lula(PT) e à recuperação dos direitos políticos do petista, em 2021, após as condenações na Lava Jato. O candidato concedeu entrevista aos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli direto dos estúdios da emissora, no Rio de Janeiro. Confira os principais temas da entrevista com Caiado: Ajuste fiscal Ronaldo Caiado prometeu, se eleito, promover um ajuste fiscal que limitaria o crescimento das despesas do governo federal à inflação mais 50% do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo o candidato, a regra seria apresentada ao Congresso por meio de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) no primeiro dia de um eventual governo. “O meu ajuste fiscal também será uma emenda constitucional, que eu encaminharei também no primeiro dia do meu governo, onde eu vou dizer: as despesas do Governo Federal, elas serão limitadas... Lógico, corrigir a inflação e atingir o máximo de 50% do crescimento do PIB.” Questionado sobre os cálculos usados para definir a meta, Caiado pediu “calma” e comparou a situação fiscal do país à de uma vítima de atropelamento. “Um paciente foi atropelado por um ônibus. Quais são os pontos que você vai priorizar? Poxa, eu nem examinei o paciente. Calma.” Ronaldo Caiado (PSD) responde sobre ajuste fiscal Caiado afirmou que é o único candidato que teve “coragem” de propor a medida e disse que pretende submetê-la ao Congresso por ser “um democrata”. Ele também criticou o atual arcabouço fiscal, que classificou como uma “grande farsa”. Ronaldo Caiado (PSD) responde a pergunta sobre corte de gastos O candidato afirmou que pretende priorizar o combate à corrupção e aos gastos que considera excessivos na administração pública. Entre os alvos citados estão “salários extorsivos” e desvios de recursos provenientes de emendas parlamentares. "Eu vou trabalhar em relação à reforma administrativa, o corte não só no Executivo, mas também no Legislativo, no Judiciário, no TCU, em todos os órgãos", disse o candidato. Atos golpistas de 8 de Janeiro Ronaldo Caiado defendeu a anistia aos condenados pela tentativa de golpe de estado de 8 de janeiro de 2023. Entre os condenados e presos nesse caso está o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ronaldo Caiado (PSD) responde sobre anistia a condenados pelo 8 de janeiro "Nós precisamos acabar com essa polarização, nós temos que pacificar o país. Ninguém aguenta mais essa situação", afirmou. "Encaminharei, sim, ao Congresso Nacional um projeto para que haja uma anistia geral, ampla. Da mesma maneira, de uma forma especial, o Supremo [Tribunal Federal, o STF], concedeu uma anistia ao ex-presidente Lula." Ronaldo Caiado (PSD) responde sobre tentativa de golpe após eleições de 2022 Lula, que atualmente é presidente, foi preso em 2018 após condenações por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá. Ele ficou preso por 580 dias e foi solto em novembro de 2019. Em 2021, o STF anulou as condenações da Lava Jato contra o petista, restabeleceu os direitos políticos dele e abriu caminho para que ele voltasse à disputa presidencial e se elegesse em 2022. O STF anulou as condenações de Lula por entender que a competência para julgar os casos era da Justiça Federal do Distrito Federal, e não da 13ª Vara Federal de Curitiba, e por reconhecer que o então juiz Sergio Moro atuou de forma parcial. Apelo ao STF Ronaldo Caiado, encerrou entrevista fazendo um apelo ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que sejam abertos sigilos relacionados ao INSS, ao caso Master e à Operação Carbono Oculto. Segundo ele, a medida permitiria que os eleitores tivessem conhecimento de eventuais crimes envolvendo candidatos antes da eleição. Ronaldo Caiado (PSD) pede que STF abra sigilos sobre fraudes no INSS e caso Master “Eu pediria que eles refletissem bem e abrissem o sigilo do INSS, do caso Master, e juntassem a ele também toda essa parte do Carbono Oculto, para que nós não fôssemos amanhã enganados [por] pessoas envolvidas em graves crimes e que amanhã pudessem ser eleitas”, afirmou. As investigações citadas por Caiado podem ter efeitos nas candidaturas dos candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT). Nova polícia Uma das propostas do ex-governador de Goiás é a criação de uma polícia transnacional entre os países da América Latina. Ronaldo Caiado (PSD) responde sobre segurança pública Questionado sobre como convenceria os governos da região a aderir à iniciativa, Caiado argumentou que a maioria dos presidentes sul-americanos hoje é de centro-direita e citou como exemplo a Colômbia, cujo presidente, segundo ele, pretende classificar grupos armados como terroristas. "Os presidentes hoje são de centro-direita. Só está faltando o Caiado ganhar a eleição para completar. Você pega a Argentina; você viu hoje a Colômbia: o presidente da Colômbia, que acabou de assumir, já declarou terroristas... Então, esse sentimento é um sentimento que hoje paira. O único lugar de resistência, o único nicho que tem para traficante na América do Sul é o Brasil." Ronaldo Caiado (PSD) responde sobre narcotráfico e segurança nas fronteiras Segundo Caiado, a polícia conjunta teria poder para realizar prisões em território brasileiro e nos demais países participantes, entregando os detidos posteriormente às autoridades locais. O modelo também incluiria o compartilhamento ampliado de informações de inteligência entre os países. Caiado afirmou ainda que o Brasil se tornou o “maior hub de narcotráfico”, com a presença de facções brasileiras, colombianas e mexicanas. Para o candidato, a expansão do crime organizado também representa uma ameaça econômica, por colocar em risco as exportações brasileiras. Salário mínimo Questionado sobre a política para o salário mínimo, Ronaldo Caiado afirmou que pretende manter a regra atual de reajuste do valor. O cálculo considera a inflação e o crescimento da economia. “O pobre coitado pegando um salário mínimo, o pobre coitado que está vivendo de aposentadoria, deixa eles em paz, pelo amor de Deus. Vamos dar o exemplo que um presidente precisa de dar. Vamos cortar na própria carne. Vamos para cima desses salários abusivos”, disse o candidato. Ronaldo Caiado (PSD) responde a pergunta sobre salário mínimo Previdência social Caiado evitou dar detalhes sobre as propostas dele para a Previdência Social. O candidato disse que iria buscar as “melhores cabeças” no país para estudar sugestões. “Isto aqui não vai sair da cabeça de um iluminado, tá certo? Igual o Bernard Appy, o iluminado, deu conta de fazer”, disse, referindo-se ao ex-secretário da reforma tributária do governo Lula (PT). Ronaldo Caiado (PSD) responde sobre reforma da previdência Ao responder se já não tinha reunido especialistas e quais ajustes exatamente faria na Previdência, declarou que não tinha “condições” de “detalhar minúcias” sobre o que fez. Quando questionado repetidamente se pretende alterar a idade mínima de aposentadoria, Caiado evitou definir metas ou parâmetros específicos de forma imediata, afirmando que a entrevista "não é uma mesa examinadora". Ronaldo Caiado (PSD) responde sobre idade mínima para aposentadoria Endividamento da população Ao ser questionado sobre o endividamento recorde das famílias e das empresas e sobre sua proposta de ampliar o acesso ao crédito, Ronaldo Caiado criticou a política econômica do governo Lula e o programa Desenrola. “Eu não vou mentir para vocês. [...] O Lula que te enrolou”, afirmou. Ronaldo Caiado (PSD) responde a pergunta sobre endividamento do brasileiro Ao falar das medidas que adotaria para enfrentar o problema, voltou a mencionar uma mudança constitucional, embora não tenha detalhado o mecanismo. Reforma tributária O candidato afirmou que pretende rever a reforma tributária aprovada pelo governo Lula (PT), que criou a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que é um tributo federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), entre estados e municípios, para simplificar a cobrança de impostos. Ronaldo Caiado (PSD) responde a pergunta sobre reforma tributária Caiado criticou o resultado final do projeto aprovado pelo Congresso e sancionado pelo governo federal. Ele ainda afirmou não ver retrocesso em rever o assunto, que demorou 30 anos até ser aprovado. "O que eu não posso é o cidadão me meter 28% em um IVA (Imposto sobre o Valor Agregado) e ainda criar um imposto seletivo que eles ironicamente chamam de pecado." Falta de apoio no PSD Questionado sobre a falta de apoio a ele nos estados dentro do próprio PSD, o presidenciável afirmou que os partidos foram "cooptados pelo governo federal". Apenas 4 de 13 candidatos aos governos locais declararam apoio à candidatura de Caiado. Ronaldo Caiado (PSD) responde sobre apoio da base aliada "Kassab [presidente do PSD, candidato a vice-presidente] deixou bem claro: 'eu não vou fazer intervenção em estado algum'. Mas preste atenção: o que que o governo federal fez? 'Vamos abafar todos os partidos no Brasil e cooptar todos'", disse Caiado. "Olha que escárnio chegou a política nacional." Confira datas de outras entrevistas com presidenciáveis à Globo A entrevista com Caiado foi a segunda de uma série com os candidatos à Presidência da República. Na segunda-feira (25), o participante foi Romeu Zema. A Globo convidou os seis candidatos mais bem posicionados na pesquisa de intenção de voto divulgada pela Quaest em 14 de agosto. A ordem das entrevistas foi definida por sorteio, com a presença de representantes dos partidos. Confira a data das próximas entrevistas: 26 de agosto (quarta-feira): Renan Santos (Missão) 27 de agosto (quinta-feira): Luiz Inácio Lula da Silva (PT) 28 de agosto (sexta-feira): Flávio Bolsonaro (PL) 29 de agosto (sábado): Augusto Cury (Avante) Esta é a primeira vez que as entrevistas da Globo com candidatos ao Palácio do Planalto são após o Jornal Nacional, e não dentro do telejornal. Após a exibição, a entrevista vai ficar disponível na íntegra no g1 e no Globoplay. O 1º turno das eleições será em 4 de outubro. Lula, Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Romeu Zema: candidatos à Presidência da República Divulgação Quem é Ronaldo Caiado Ronaldo Caiado, de 76 anos, tenta pela segunda vez chegar à Presidência, 37 anos depois de sua primeira candidatura, em 1989, quando recebeu menos de 1% dos votos. Médico ortopedista e político de longa trajetória, foi deputado federal, senador e governador de Goiás por dois mandatos. Em 2026, filiado ao PSD desde março, foi escolhido candidato do partido depois que Ratinho Junior desistiu da disputa. De família tradicional na política goiana, Caiado construiu sua carreira em torno de uma postura de oposição ao PT e passou por diferentes partidos até chegar ao PSD. Ronaldo Caiado (PSD) com Renata Vasconcellos e César Tralli nos Estúdios Globo Globo/ Manoella Mello Na campanha presidencial, Caiado busca reunir o eleitorado conservador e do agronegócio e tem como principais aliados Gilberto Kassab, presidente do PSD e candidato a vice, Daniel Vilela e Sandro Mabel. A principal bandeira de Caiado é a segurança pública, com a defesa da integração entre polícias estaduais e federal e da Polícia Rodoviária Federal no combate ao crime organizado. Na economia, propõe ampliar a exploração e o processamento de minerais críticos, como terras raras, em parceria com Estados Unidos e Japão. Na área social, defende a transição de programas assistenciais para políticas de emancipação e, em declarações públicas, apoiou uma anistia “ampla, geral e irrestrita” para condenados e investigados pelos atos golpistas de 2022 e 2023, incluindo Jair Bolsonaro. Veja as principais propostas de Caiado, registradas no plano de governo entregue ao TSE: Segurança pública: ampliar a liderança federal no combate ao crime organizado, integrando inteligência, fortalecendo o controle das fronteiras, atacando o patrimônio das facções e retomando o controle dos presídios. Contas públicas: conter despesas, reduzir desperdícios, estabilizar a dívida, reconstruir superávits e proteger os investimentos, sem aumento permanente da carga tributária. Economia: fazer da iniciativa privada o principal motor do crescimento, com foco em investimento, produtividade, inovação e regras previsíveis. Educação: alfabetizar na idade certa, recompor a aprendizagem, ampliar o ensino técnico e aproximar formação e mercado de trabalho. Indústria: reindustrializar o país, articulando agro, minerais, energia, saúde, defesa, digitalização e bioeconomia para agregar valor e gerar empregos qualificados. Mineração: desenvolver cadeias nacionais de processamento de minerais críticos e terras raras, com tecnologia, materiais avançados e maior valor agregado. Programas sociais: manter a transferência de renda, mas integrá-la a qualificação, trabalho, educação, saúde, habitação e cuidado, criando uma transição gradual para quem aumentar a renda. Saúde: reorganizar o SUS para oferecer atendimento mais próximo, fila transparente, especialista no tempo certo e gestão baseada em qualidade e resultados. Infância: dar prioridade orçamentária e de gestão a crianças e adolescentes, com ações integradas de saúde, educação, assistência, alimentação e proteção contra violências. Política e Congresso: formar uma maioria parlamentar baseada em programa, metas e cronograma legislativo e propor o fim da reeleição consecutiva para cargos do Executivo.